Oposição quer derrubar nova CPMF ainda neste semestre
PSDB, DEM e PPS aguardam reunião do Senado para decidir sobre CSS
Brasília (17 de junho) - A oposição vai propor amanhã um acordo com a base aliada do governo para tentar acelerar a votação da Contribuição Social para a Saúde (CSS) no Senado. Se os governistas aceitarem que a matéria siga diretamente para o plenário da Casa, sem tramitar pelas comissões, os oposicionistas estão dispostos a concluir já nesta quarta-feira a votação da Emenda 29 na Câmara, inclusive com a criação do novo tributo. Esse entendimento foi discutido hoje à noite em reunião da qual participaram líderes do PSDB e do DEM nas duas Casas, além de deputados de partidos da oposição.
DESTAQUES
A Emenda 29, que estabelece percentuais mínimos para aplicação na Saúde, e a CSS foram aprovadas semana passada na Câmara, mas ainda resta a votação de quatro destaques que podem derrubar a cobrança da nova CPMF. A oposição aposta que terá votos para derrotar a CSS no plenário do Senado, onde as forças políticas são mais equilibradas do que na Câmara, e por isso quer levar a matéria a voto ainda neste semestre. "De acordo com a decisão ou vontade expressa pelos senadores, vamos acelerar mais ou menos o ritmo da votação dos quatro destaques. Queremos do Senado o compromisso de que eles apreciarão rapidamente a Emenda 29 e aí teremos empenho em fazer a nossa parte na Câmara", resumiu o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP).
O presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), deve se reunir nesta quarta-feira com os líderes partidários para discutir a tramitação do projeto que regulamenta a Emenda 29 e cria a CSS. Caso não haja acordo, PSDB, DEM e PPS vão manter a obstrução no plenário da Câmara e tentar aprovar destaque que modifique a base de cálculo da nova CPMF. "A oposição quer votar e derrotar a CSS. Em um desses destaques é possível barrar o tributo, mas queremos ver a disposição do Senado. É inaceitável a hipótese daquela Casa só se manifestar após as eleições sobre essa emenda que destina mais recursos para a Saúde", avaliou Aníbal.
Proposto pelo Democratas, esse destaque retira do texto o artigo que define a base de cálculo da CSS e, portanto, elimina o imposto. Diante da vitória apertada do governo na Câmara, por uma diferença de apenas dois votos, o líder do PSDB acredita que essa emenda tem chance de ser aprovada. "A base do governo está 'desidratada'. Tendo em vista que por apenas dois votos o governo conseguiu manter a CCS e a tomar pela pressão que veio da opinião pública em relação a esse tributo, é possível que aprovemos esse destaque", reiterou.
O tucano lembrou ainda que a pauta da Câmara deve estar trancada por medidas provisórias nas próximas semanas e a oposição não se mobilizará em liberá-la caso os governistas não aceitem a proposta discutida hoje. "Ou se faz o entendimento ou vamos ter pauta trancada até o recesso, acentuando que há oito MPs trancando a pauta nas próximas três semanas", avisou Aníbal.
LIBERAÇÃO DE EMENDAS
Diante da incerteza para assegurar apoio dos aliados à aprovação da CSS, o governo tem aberto os cofres e destinado milhões de reais em emendas parlamentares, favorecendo os partidos da sua base. Para as bancadas do PMDB na Câmara e no Senado, por exemplo, o valor liberado saltou 8.174% entre 31 de maio e hoje, passando de R$ 670 mil para R$ 55,4 milhões. Em outros legendas aliadas, o quadro se repete. No PTB, o aumento foi de 3713%, no PP, 3423%, e no PR, 1378%.
Mesmo se comparado o valor aprovado no Orçamento Geral da União de 2008 e os empenhos emitidos até hoje, percebe-se claramente o favorecimento às legendas da base. Enquanto aos peemedebistas o percentual é de 13,2%, no caso do PSDB é de 3,9% e no PSOL despenca para 0,4%. E os dados de restos a pagar do Orçamento 2007 reforçam a tese do favorecimento. Entre 31 de maio e hoje, o valor liberado aos integrantes do PDT chega a R$ 6,9 milhões, um incremento de 173%. Em outras legendas, o índice também é elevado, como o PTB (87,8%) e o onipresente PMDB, com 62,4%.
Fonte: Agência Tucana
Base quer modificar regimento da Câmara para favorecer governo
Para tucanos, tentativa é um golpe do Palácio do Planalto
Brasília (17 de junho) - Sob o pretexto de modernizar o Regimento Interno da Câmara, parlamentares da base governista começam a ensaiar mais uma manobra para facilitar o trâmite das matérias de interesse do Planalto. Trata-se da proposta que prevê a limitação do uso de instrumentos de obstrução apresentados pela oposição. Embora esse Projeto de Resolução já tenha sido distribuído pela Mesa da Casa para apreciação dos deputados no ano passado, ainda não foi apresentado oficializado por nenhum parlamentar. A idéia da ala governista é ressuscitar a proposta e colocá-la em votação em julho.
FIM DAS OBSTRUÇÕES
Na avaliação do deputado Edson Aparecido (SP), uma mudança dessa natureza orquestrada somente para favorecer o Executivo é uma medida absolutamente "autoritária". "A base de apoio ao presidente Lula não pode retirar da Minoria o direito de fiscalizar os atos do governo federal", alertou.
De acordo com informações do jornal Correio Braziliense, o projeto já foi discutido em setembro de 2007, no mesmo período em que a prorrogação da antiga CPMF começava a ser votada. Por falta de consenso a proposta foi esquecida. No entanto, a pressão vinda do Congresso para que o governo reduzisse a edição das medidas provisórias levou a base do governo a tentar reapresentar esse projeto com o apoio da maioria dos líderes aliados.
Segundo o Correio, o projeto modifica 22 artigos do Regimento Interno e tem como objetivo principal dificultar as ações dos partidos que fazem oposição ao atual governo. Se a proposta for aprovada, o instrumento da obstrução - que na prática aumenta o tempo de análise de uma matéria para impedir sua votação - será praticamente extinto. A proposta, por exemplo, limita encaminhamento de votação somente à proposta principal e aos destaques, acaba com discussão e votação parcial, e impede apresentação de requerimento de votação nominal. Além disso, restringe pedidos de adiamento da apreciação da matéria em pauta.
GOLPE GOVERNISTA
Na opinião de Aparecido, a democracia pela qual o país tanto lutou está sendo ameaçada com essa "proposta absurda". "A Minoria conquistou o direito de obstruir, e os governistas não podem impedir que a oposição tenha sua atuação limitada. Esse projeto é um total retrocesso. Não podemos permitir que a ala governista aprove uma proposta tão anti-democrática", criticou.
Na opinião do vice-líder do PSDB na Câmara deputado João Almeida (BA), todos os parlamentares, sejam eles da base ou não, têm consciência de que toda mudança no regimento da Câmara só pode ocorrer se houver consenso por parte dos deputados e na transição de uma legislatura para outra. "Qualquer tentativa de alterar o regimento fora das condições previstas não passa de um golpe governista", afirmou.
Almeida alertou que o PSDB irá lutar para que a base de apoio ao presidente Lula não saia vitoriosa em mais esta manobra. "Depois de observar atentamente cinco anos da gestão petista estava convencido de que nenhuma iniciativa do Partido dos Trabalhadores iria causar espanto. Isso até ser confrontado com essa proposta, que é um absurdo", concluiu.
Fonte: Agência Tucana
Carga tributária bate novo recorde e chega a 38,9% do PIB
Paulo Renato: números comprovam que CPMF é desnecessária
Brasília (17 de junho) - A elevação da carga tributária - que atingiu no primeiro trimestre de 2008 inéditos 38,9% do Produto Interno Bruto (PIB), em relação ao mesmo período da ano passado - apenas corrobora uma tendência constante do governo Lula e já denunciada pela oposição. A afirmação é do deputado Paulo Renato Souza (SP), ex-ministro da Educação do governo Fernando Henrique Cardoso. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o índice aumentou 1,87 ponto percentual - resultando numa arrecadação adicional de R$ 37,15 bilhões em apenas três meses. Isso sem que a CPMF estivesse em vigor.
DIFERENÇAS
O perfil do crescimento da arrecadação também evidencia o papel do Planalto na mordida no bolso do contribuinte. Os tributos recolhidos pelo Executivo federal cresceram 18,44% no período, contra 14,48% dos impostos estaduais e apenas 7,93% dos municipais. Ao todo, a estimativa do instituto é que até dezembro a carga tributária global atinja R$ 1 trilhão. No período estudado pelo IBPT, o montante já chegou a R$ 258,9 bilhões.
"Isso apenas comprova que estávamos certos ao criticar a prorrogação da CPMF no ano passado e a agora criação da Contribuição Social para a Saúde em 2008. Existe dinheiro para o setor. No entanto, o governo optou por aplicar os recursos excedentes para financiar o aumento dos gastos de custeio", destacou o tucano.
Paulo Renato fez questão de destacar as diferenças entre a conjuntura que levaram à elevação da carga em 5,27 pontos percentuais entre 1998 e 2002 e os 5,87 acumulados desde o início da gestão petista. "Os índices podem até guardar certa semelhança, mas o contexto era inteiramente diverso. Durante a administração tucana, fomos obrigados a assumir déficits dos estados e prefeituras, sanear as contas de bancos estaduais e federais e reconhecer 'esqueletos' [fontes de dívidas públicas não contabilizadas] de governos anteriores. Também na estabilidade do real, deixamos de contar com o chamado imposto inflacionário, que possibilitava aos governos financiar parte de seus gastos apenas com a emissão de moeda. Para fazer frente a essas novas obrigações, uma elevação da carga tributária se justificava", ponderou.
ESQUELETOS BILIONÁRIOS
Os números endossam a avaliação de Paulo Renato. A elevação da dívida pública, financiada com elevação da carga na administração anterior, foi contaminada por fatores alheios à vontade do Executivo. Os três fatores listados pelo parlamentar - a necessidade de cobrir déficits de outros entes federativos, o fortalecimento dos bancos públicos e o reconhecimento dos chamados "esqueletos" - responderam por 85% da dívida da época. Somente o primeiro item custou R$ 275,2 bilhões aos cofres da União. Amparados por programas de refinanciamento, cerca de 21 estados e cerca de 180 municípios em dificuldades puderam sanear suas finanças.
Outros R$ 69,9 bilhões foram gastos para equilibrar as contas da Caixa Econômica Federal, e de outras instituições como o Banco do Brasil, do Nordeste e da Amazônia, enquanto quase o dobro desse montante - R$ 143,4 bilhões - destinou-se a incorporar "esqueletos" do Sistema Financeiro de Habitação e dívidas da Superintendência de Incentivo à Marinha Mercante e da Rede Ferroviária Federal. A decisão da gestão tucana de assumir passivos criados em administrações anteriores, inclusive durante o governo militar, levou o Brasil a receber um certificado ISO 9000 na área fiscal.
A gestão Lula, por sua vez, beneficia-se de um esforço fiscal sem precedentes e aumenta tributos sem nenhuma explicação aceitável. "O presidente teve a fortuna de viver outra época. Um tempo de um esplendor no cenário mundial, de bonança global. Nos anos em que o PSDB governou, as grandes crises internacionais se sucediam a cada dois anos, impedindo o crescimento da economia", disse o deputado paulista.
"Qual foi o esqueleto retirado do armário por este governo? Nenhum, a não ser o financiamento de seu superávit", apontou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). Para ele, apenas a gastança aumentou, deixando a despesa pública em um nível insustentável. "Estamos exportando poupança. Grandes empresários brasileiros passam a investir no exterior, porque não querem conviver com a insegurança jurídica ou com uma carga tributária tão elevada" afirmou o tucano.
Fonte: Agência Tucana
Virgílio cobra explicações de Jobim sobre morte de jovens no RJ
Tucanos repudiam uso político do Exército no Rio de Janeiro
Brasília (17 de junho) - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), apresentou nesta terça-feira na Mesa da Casa requerimento de informações ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, sobre a participação do Exército no episódio que resultou na morte de três jovens moradores do Morro da Providência por bandidos rivais do Morro da Mineira, ambos no Rio de Janeiro.
USO POLÍTICO
Segundo o líder tucano, a simples possibilidade de haver oficiais do Exército envolvidos no processo de tortura e na entrega dos três adolescentes ao grupo criminoso da favela vizinha é "constrangedor". "Neste requerimento indago os porquês a respeito dessa operação, a que título o Exército está lá, com que autoridade e com autorização de quem. O fato é intolerável. A atuação dos oficiais do Exército, envolvidos de maneira íntima com grupos criminosos e, ainda, tomando partido de um deles, é algo sério que exige resposta. Sei que as explicações virão prontamente", afirmou.
A morte brutal dos rapazes provocadas por militares do Exército destacados para controlar os conflitos causados pela guerra do tráfico de drogas no Morro da Providência reacendeu a antiga discussão sobre a legalidade do uso das Forças Armadas na solução dos conflitos urbanos. Com o objetivo de repreender os jovens, 11 militares utilizaram armamento e veículos da corporação para entregá-los a bandidos rivais do Morro da Mineira.
Outra questão presente neste episódio se refere ao uso político do Exército, já que o quadro de militares foi convocado a pedido do governo para apoiar um projeto assistencialista do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que é candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro e um dos principais expoentes da base aliada ao presidente Lula, no Morro da Providência.
Para o líder tucano na Câmara, deputado José Aníbal (SP), as Forças Armadas não foram criadas para "policiamento preventivo ou uso político-eleitoral". Segundo ele, ocorreu no RJ uma "operação desastrosa", "que não condiz com a tradição de defesa da integridade do território nacional".
O deputado Vandelei Macris (SP), por sua vez, anunciou que protocolará amanhã, junto à Presidência da Câmara e à Procuradoria Geral da República, pedido de impeachment do ministro Nelson Jobim por crime de responsabilidade em virtude de ato de omissão na fiscalização dos atos do Exército Brasileiro no Morro da Providência, no Rio de Janeiro.
Na avaliação do deputado Carlos Alberto Leréia (GO), integrante da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o contingente de soldados e oficiais do Exército brasileiro não foi treinado para invadir favelas em busca de traficantes. "Esse é um trabalho específico das forças policiais e as autoridades do nosso país sabiam disso quando decidiram enviar tropas militares para combater a guerra do tráfico nos morros cariocas", ponderou.
ALIADOS DA BANDIDAGEM
O tucano lembrou que o governo chegou a afirmar na época que o uso do Exército nessas situações teria um caráter emergencial. "No entanto, o que deveria ser uma intervenção breve se estendeu em uma operação longa o suficiente para que militares do Exército pudessem adquirir os vícios da chamada 'banda podre' da polícia do Rio de Janeiro", lamentou.
Para o parlamentar, ao invés de ter envolvido as Forças Armadas na guerra do tráfico, o Executivo deveria ter criado mecanismos de apoio para as eventuais iniciativas do governo estadual fluminense de recuperar a polícia daquele estado. "Depois que a tragédia foi consumada resta ao Planalto cobrar do Exército uma punição exemplar para aqueles que haviam sido chamados para ajudar o Estado brasileiro e acabaram se aliando à bandidagem", condenou.
Na opinião do vice-líder do PSDB na Casa deputado Duarte Nogueira (SP), esse episódio que chocou o país leva o Parlamento a questionar uma série de questões a respeito da entrada das Forças Armadas no combate à violência urbana do Rio de Janeiro. "Precisamos saber quem avalizou esse convênio à revelia do próprio comando do Exército. Quem fiscalizava a ação deses militares e acima de tudo, quem será responsabilizado por essa tragédia que mancha de sangue o Exército e a democracia brasileira", apontou.
Duarte criticou ainda o silêncio dos ministros das Cidades, Márcio Fortes, e da Defesa, Nelson Jobim, diante do escândalo. "Três jovens morrem em circunstância lamentável e o governo até o momento não se pronunciou sobre o assunto. Essa atitude é totalmente inaceitável", concluiu.
Fonte: Agência Tucana
PSDB, DEM e PPS aguardam reunião do Senado para decidir sobre CSS
Brasília (17 de junho) - A oposição vai propor amanhã um acordo com a base aliada do governo para tentar acelerar a votação da Contribuição Social para a Saúde (CSS) no Senado. Se os governistas aceitarem que a matéria siga diretamente para o plenário da Casa, sem tramitar pelas comissões, os oposicionistas estão dispostos a concluir já nesta quarta-feira a votação da Emenda 29 na Câmara, inclusive com a criação do novo tributo. Esse entendimento foi discutido hoje à noite em reunião da qual participaram líderes do PSDB e do DEM nas duas Casas, além de deputados de partidos da oposição.
DESTAQUES
A Emenda 29, que estabelece percentuais mínimos para aplicação na Saúde, e a CSS foram aprovadas semana passada na Câmara, mas ainda resta a votação de quatro destaques que podem derrubar a cobrança da nova CPMF. A oposição aposta que terá votos para derrotar a CSS no plenário do Senado, onde as forças políticas são mais equilibradas do que na Câmara, e por isso quer levar a matéria a voto ainda neste semestre. "De acordo com a decisão ou vontade expressa pelos senadores, vamos acelerar mais ou menos o ritmo da votação dos quatro destaques. Queremos do Senado o compromisso de que eles apreciarão rapidamente a Emenda 29 e aí teremos empenho em fazer a nossa parte na Câmara", resumiu o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP).
O presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), deve se reunir nesta quarta-feira com os líderes partidários para discutir a tramitação do projeto que regulamenta a Emenda 29 e cria a CSS. Caso não haja acordo, PSDB, DEM e PPS vão manter a obstrução no plenário da Câmara e tentar aprovar destaque que modifique a base de cálculo da nova CPMF. "A oposição quer votar e derrotar a CSS. Em um desses destaques é possível barrar o tributo, mas queremos ver a disposição do Senado. É inaceitável a hipótese daquela Casa só se manifestar após as eleições sobre essa emenda que destina mais recursos para a Saúde", avaliou Aníbal.
Proposto pelo Democratas, esse destaque retira do texto o artigo que define a base de cálculo da CSS e, portanto, elimina o imposto. Diante da vitória apertada do governo na Câmara, por uma diferença de apenas dois votos, o líder do PSDB acredita que essa emenda tem chance de ser aprovada. "A base do governo está 'desidratada'. Tendo em vista que por apenas dois votos o governo conseguiu manter a CCS e a tomar pela pressão que veio da opinião pública em relação a esse tributo, é possível que aprovemos esse destaque", reiterou.
O tucano lembrou ainda que a pauta da Câmara deve estar trancada por medidas provisórias nas próximas semanas e a oposição não se mobilizará em liberá-la caso os governistas não aceitem a proposta discutida hoje. "Ou se faz o entendimento ou vamos ter pauta trancada até o recesso, acentuando que há oito MPs trancando a pauta nas próximas três semanas", avisou Aníbal.
LIBERAÇÃO DE EMENDAS
Diante da incerteza para assegurar apoio dos aliados à aprovação da CSS, o governo tem aberto os cofres e destinado milhões de reais em emendas parlamentares, favorecendo os partidos da sua base. Para as bancadas do PMDB na Câmara e no Senado, por exemplo, o valor liberado saltou 8.174% entre 31 de maio e hoje, passando de R$ 670 mil para R$ 55,4 milhões. Em outros legendas aliadas, o quadro se repete. No PTB, o aumento foi de 3713%, no PP, 3423%, e no PR, 1378%.
Mesmo se comparado o valor aprovado no Orçamento Geral da União de 2008 e os empenhos emitidos até hoje, percebe-se claramente o favorecimento às legendas da base. Enquanto aos peemedebistas o percentual é de 13,2%, no caso do PSDB é de 3,9% e no PSOL despenca para 0,4%. E os dados de restos a pagar do Orçamento 2007 reforçam a tese do favorecimento. Entre 31 de maio e hoje, o valor liberado aos integrantes do PDT chega a R$ 6,9 milhões, um incremento de 173%. Em outras legendas, o índice também é elevado, como o PTB (87,8%) e o onipresente PMDB, com 62,4%.
Fonte: Agência Tucana
Base quer modificar regimento da Câmara para favorecer governo
Para tucanos, tentativa é um golpe do Palácio do Planalto
Brasília (17 de junho) - Sob o pretexto de modernizar o Regimento Interno da Câmara, parlamentares da base governista começam a ensaiar mais uma manobra para facilitar o trâmite das matérias de interesse do Planalto. Trata-se da proposta que prevê a limitação do uso de instrumentos de obstrução apresentados pela oposição. Embora esse Projeto de Resolução já tenha sido distribuído pela Mesa da Casa para apreciação dos deputados no ano passado, ainda não foi apresentado oficializado por nenhum parlamentar. A idéia da ala governista é ressuscitar a proposta e colocá-la em votação em julho.
FIM DAS OBSTRUÇÕES
Na avaliação do deputado Edson Aparecido (SP), uma mudança dessa natureza orquestrada somente para favorecer o Executivo é uma medida absolutamente "autoritária". "A base de apoio ao presidente Lula não pode retirar da Minoria o direito de fiscalizar os atos do governo federal", alertou.
De acordo com informações do jornal Correio Braziliense, o projeto já foi discutido em setembro de 2007, no mesmo período em que a prorrogação da antiga CPMF começava a ser votada. Por falta de consenso a proposta foi esquecida. No entanto, a pressão vinda do Congresso para que o governo reduzisse a edição das medidas provisórias levou a base do governo a tentar reapresentar esse projeto com o apoio da maioria dos líderes aliados.
Segundo o Correio, o projeto modifica 22 artigos do Regimento Interno e tem como objetivo principal dificultar as ações dos partidos que fazem oposição ao atual governo. Se a proposta for aprovada, o instrumento da obstrução - que na prática aumenta o tempo de análise de uma matéria para impedir sua votação - será praticamente extinto. A proposta, por exemplo, limita encaminhamento de votação somente à proposta principal e aos destaques, acaba com discussão e votação parcial, e impede apresentação de requerimento de votação nominal. Além disso, restringe pedidos de adiamento da apreciação da matéria em pauta.
GOLPE GOVERNISTA
Na opinião de Aparecido, a democracia pela qual o país tanto lutou está sendo ameaçada com essa "proposta absurda". "A Minoria conquistou o direito de obstruir, e os governistas não podem impedir que a oposição tenha sua atuação limitada. Esse projeto é um total retrocesso. Não podemos permitir que a ala governista aprove uma proposta tão anti-democrática", criticou.
Na opinião do vice-líder do PSDB na Câmara deputado João Almeida (BA), todos os parlamentares, sejam eles da base ou não, têm consciência de que toda mudança no regimento da Câmara só pode ocorrer se houver consenso por parte dos deputados e na transição de uma legislatura para outra. "Qualquer tentativa de alterar o regimento fora das condições previstas não passa de um golpe governista", afirmou.
Almeida alertou que o PSDB irá lutar para que a base de apoio ao presidente Lula não saia vitoriosa em mais esta manobra. "Depois de observar atentamente cinco anos da gestão petista estava convencido de que nenhuma iniciativa do Partido dos Trabalhadores iria causar espanto. Isso até ser confrontado com essa proposta, que é um absurdo", concluiu.
Fonte: Agência Tucana
Carga tributária bate novo recorde e chega a 38,9% do PIB
Paulo Renato: números comprovam que CPMF é desnecessária
Brasília (17 de junho) - A elevação da carga tributária - que atingiu no primeiro trimestre de 2008 inéditos 38,9% do Produto Interno Bruto (PIB), em relação ao mesmo período da ano passado - apenas corrobora uma tendência constante do governo Lula e já denunciada pela oposição. A afirmação é do deputado Paulo Renato Souza (SP), ex-ministro da Educação do governo Fernando Henrique Cardoso. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o índice aumentou 1,87 ponto percentual - resultando numa arrecadação adicional de R$ 37,15 bilhões em apenas três meses. Isso sem que a CPMF estivesse em vigor.
DIFERENÇAS
O perfil do crescimento da arrecadação também evidencia o papel do Planalto na mordida no bolso do contribuinte. Os tributos recolhidos pelo Executivo federal cresceram 18,44% no período, contra 14,48% dos impostos estaduais e apenas 7,93% dos municipais. Ao todo, a estimativa do instituto é que até dezembro a carga tributária global atinja R$ 1 trilhão. No período estudado pelo IBPT, o montante já chegou a R$ 258,9 bilhões.
"Isso apenas comprova que estávamos certos ao criticar a prorrogação da CPMF no ano passado e a agora criação da Contribuição Social para a Saúde em 2008. Existe dinheiro para o setor. No entanto, o governo optou por aplicar os recursos excedentes para financiar o aumento dos gastos de custeio", destacou o tucano.
Paulo Renato fez questão de destacar as diferenças entre a conjuntura que levaram à elevação da carga em 5,27 pontos percentuais entre 1998 e 2002 e os 5,87 acumulados desde o início da gestão petista. "Os índices podem até guardar certa semelhança, mas o contexto era inteiramente diverso. Durante a administração tucana, fomos obrigados a assumir déficits dos estados e prefeituras, sanear as contas de bancos estaduais e federais e reconhecer 'esqueletos' [fontes de dívidas públicas não contabilizadas] de governos anteriores. Também na estabilidade do real, deixamos de contar com o chamado imposto inflacionário, que possibilitava aos governos financiar parte de seus gastos apenas com a emissão de moeda. Para fazer frente a essas novas obrigações, uma elevação da carga tributária se justificava", ponderou.
ESQUELETOS BILIONÁRIOS
Os números endossam a avaliação de Paulo Renato. A elevação da dívida pública, financiada com elevação da carga na administração anterior, foi contaminada por fatores alheios à vontade do Executivo. Os três fatores listados pelo parlamentar - a necessidade de cobrir déficits de outros entes federativos, o fortalecimento dos bancos públicos e o reconhecimento dos chamados "esqueletos" - responderam por 85% da dívida da época. Somente o primeiro item custou R$ 275,2 bilhões aos cofres da União. Amparados por programas de refinanciamento, cerca de 21 estados e cerca de 180 municípios em dificuldades puderam sanear suas finanças.
Outros R$ 69,9 bilhões foram gastos para equilibrar as contas da Caixa Econômica Federal, e de outras instituições como o Banco do Brasil, do Nordeste e da Amazônia, enquanto quase o dobro desse montante - R$ 143,4 bilhões - destinou-se a incorporar "esqueletos" do Sistema Financeiro de Habitação e dívidas da Superintendência de Incentivo à Marinha Mercante e da Rede Ferroviária Federal. A decisão da gestão tucana de assumir passivos criados em administrações anteriores, inclusive durante o governo militar, levou o Brasil a receber um certificado ISO 9000 na área fiscal.
A gestão Lula, por sua vez, beneficia-se de um esforço fiscal sem precedentes e aumenta tributos sem nenhuma explicação aceitável. "O presidente teve a fortuna de viver outra época. Um tempo de um esplendor no cenário mundial, de bonança global. Nos anos em que o PSDB governou, as grandes crises internacionais se sucediam a cada dois anos, impedindo o crescimento da economia", disse o deputado paulista.
"Qual foi o esqueleto retirado do armário por este governo? Nenhum, a não ser o financiamento de seu superávit", apontou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). Para ele, apenas a gastança aumentou, deixando a despesa pública em um nível insustentável. "Estamos exportando poupança. Grandes empresários brasileiros passam a investir no exterior, porque não querem conviver com a insegurança jurídica ou com uma carga tributária tão elevada" afirmou o tucano.
Fonte: Agência Tucana
Virgílio cobra explicações de Jobim sobre morte de jovens no RJ
Tucanos repudiam uso político do Exército no Rio de Janeiro
Brasília (17 de junho) - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), apresentou nesta terça-feira na Mesa da Casa requerimento de informações ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, sobre a participação do Exército no episódio que resultou na morte de três jovens moradores do Morro da Providência por bandidos rivais do Morro da Mineira, ambos no Rio de Janeiro.
USO POLÍTICO
Segundo o líder tucano, a simples possibilidade de haver oficiais do Exército envolvidos no processo de tortura e na entrega dos três adolescentes ao grupo criminoso da favela vizinha é "constrangedor". "Neste requerimento indago os porquês a respeito dessa operação, a que título o Exército está lá, com que autoridade e com autorização de quem. O fato é intolerável. A atuação dos oficiais do Exército, envolvidos de maneira íntima com grupos criminosos e, ainda, tomando partido de um deles, é algo sério que exige resposta. Sei que as explicações virão prontamente", afirmou.
A morte brutal dos rapazes provocadas por militares do Exército destacados para controlar os conflitos causados pela guerra do tráfico de drogas no Morro da Providência reacendeu a antiga discussão sobre a legalidade do uso das Forças Armadas na solução dos conflitos urbanos. Com o objetivo de repreender os jovens, 11 militares utilizaram armamento e veículos da corporação para entregá-los a bandidos rivais do Morro da Mineira.
Outra questão presente neste episódio se refere ao uso político do Exército, já que o quadro de militares foi convocado a pedido do governo para apoiar um projeto assistencialista do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que é candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro e um dos principais expoentes da base aliada ao presidente Lula, no Morro da Providência.
Para o líder tucano na Câmara, deputado José Aníbal (SP), as Forças Armadas não foram criadas para "policiamento preventivo ou uso político-eleitoral". Segundo ele, ocorreu no RJ uma "operação desastrosa", "que não condiz com a tradição de defesa da integridade do território nacional".
O deputado Vandelei Macris (SP), por sua vez, anunciou que protocolará amanhã, junto à Presidência da Câmara e à Procuradoria Geral da República, pedido de impeachment do ministro Nelson Jobim por crime de responsabilidade em virtude de ato de omissão na fiscalização dos atos do Exército Brasileiro no Morro da Providência, no Rio de Janeiro.
Na avaliação do deputado Carlos Alberto Leréia (GO), integrante da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o contingente de soldados e oficiais do Exército brasileiro não foi treinado para invadir favelas em busca de traficantes. "Esse é um trabalho específico das forças policiais e as autoridades do nosso país sabiam disso quando decidiram enviar tropas militares para combater a guerra do tráfico nos morros cariocas", ponderou.
ALIADOS DA BANDIDAGEM
O tucano lembrou que o governo chegou a afirmar na época que o uso do Exército nessas situações teria um caráter emergencial. "No entanto, o que deveria ser uma intervenção breve se estendeu em uma operação longa o suficiente para que militares do Exército pudessem adquirir os vícios da chamada 'banda podre' da polícia do Rio de Janeiro", lamentou.
Para o parlamentar, ao invés de ter envolvido as Forças Armadas na guerra do tráfico, o Executivo deveria ter criado mecanismos de apoio para as eventuais iniciativas do governo estadual fluminense de recuperar a polícia daquele estado. "Depois que a tragédia foi consumada resta ao Planalto cobrar do Exército uma punição exemplar para aqueles que haviam sido chamados para ajudar o Estado brasileiro e acabaram se aliando à bandidagem", condenou.
Na opinião do vice-líder do PSDB na Casa deputado Duarte Nogueira (SP), esse episódio que chocou o país leva o Parlamento a questionar uma série de questões a respeito da entrada das Forças Armadas no combate à violência urbana do Rio de Janeiro. "Precisamos saber quem avalizou esse convênio à revelia do próprio comando do Exército. Quem fiscalizava a ação deses militares e acima de tudo, quem será responsabilizado por essa tragédia que mancha de sangue o Exército e a democracia brasileira", apontou.
Duarte criticou ainda o silêncio dos ministros das Cidades, Márcio Fortes, e da Defesa, Nelson Jobim, diante do escândalo. "Três jovens morrem em circunstância lamentável e o governo até o momento não se pronunciou sobre o assunto. Essa atitude é totalmente inaceitável", concluiu.
Fonte: Agência Tucana


