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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Política

"Grade fechada" pode ser proibida no ensino superior

É o que estabelece projeto de lei do deputado Professor Ruy Pauletti

A exigência do número mínimo de créditos - a chamada "grade fechada" - para a efetivação ou continuidade da matrícula nos estabelecimentos de ensino superior pode ser proibida. É o que pretende o projeto de lei 1030/07 do deputado Professor Ruy Pauletti (RS), no qual fica estabelecido prazo de um ano para os estabelecimentos se adaptarem à medida.
O autor explica que seu objetivo é melhorar o acesso e reduzir a evasão no ensino superior. Em sua avaliação, a exigência da grande fechada resulta em alto custo para os alunos, levando muitos a abandonar os estudos.
O deputado argumenta ainda ser direito do consumidor a opção pela individualização do serviço contratado - no caso, o curso universitário -, com base no princípio de que o aluno deve poder cursar uma faculdade de acordo com suas possibilidades financeiras. Sujeito à apreciação em caráter conclusivo, o projeto precisa passar pelas comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Fonte: Agência Câmara

Zenaldo: população pagará a conta do pacote e do fisiologismo de Lula

Planalto acena com liberação de cargos para aprovar aumento de impostos

A população pagará duas vezes a conta do pacote de impostos baixado pela gestão Lula: a da gula tributária governamental e a do fisiologismo. A avaliação é do líder da Minoria na Câmara, Zenaldo Coutinho (PA). O tucano se refere às "movimentações pós-pacote" do Planalto para "consolidar uma maioria capaz de aprovar a tunga no bolso do cidadão".

PERDULÁRIO
"O governo preparou dois ataques à população: pela via da concessão de favores públicos a aliados e pela elevação da carga tributária. Reagiremos também em duas frentes. No Legislativo, onde a gestão petista pode ter surpresas, mesmo diante do fisiologismo escancarado; e no Judiciário, onde já há fortes questionamentos quanto à constitucionalidade das medidas do pacote", advertiu.
Nesta terça-feira, os ministros Paulo Bernardo (Planejamento), José Múcio (Relações Institucionais) e o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, começaram a analisar um mapa de cargos públicos, dos quais fazem parte 300 postos regionais, além das diretorias da Eletrobrás, da Eletronorte e da Eletrosul.
O novo loteamento seria a estratégia do Planalto para apaziguar os ânimos de sua base no Congresso Nacional. A primeira nomeação do lote deve ocorrer nos próximos dias: a do novo ministro de Minas e Energia, pasta que deverá ser ocupada pelo senador neo-peemedebista Edson Lobão (MA).
O 1º vice-líder do PSDB na Câmara, Leonardo Vilela (GO), considerou a barganha "completamente condenável". "Em si, a estratégia de cooptação e compra de votos já é lamentável. É pior ainda quando se trata de aumentar tributos, que serão mal gastos. É bom ressaltar que não vivemos uma situação de crise fiscal ou de falta de recursos. O que sabemos é que o governo é perdulário. Gasta muito e mal. Por isso prefere o caminho fácil de aumentar impostos ao invés de cortar gastos", avaliou o parlamentar goiano.
Para o senador Alvaro Dias (PR), o governo usa os cargos de confiança nos estados para atender às demandas dos partidos aliados e diminuir as pressões contra o pacote tributário e nas negociações que definirão os cortes no Orçamento. "O governo nunca termina o processo de nomeação. Em cada votação importante, as nomeações são retomadas", lamentou.

Fonte: Agência Tucana

Tucanos apresentam projetos que suspendem aumento de impostos

Decreto de Lula viola a Constituição de "maneira afrontosa", diz Alvaro

O senador Alvaro Dias (PR) protocolou na tarde desta terça-feira na Mesa Diretora da Casa dois projetos de decreto legislativo sustando os efeitos do decreto presidencial 6.345/08, editado no último dia 4, que aumentou as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), acompanhou a entrega e também assinou os projetos.
Segundo Alvaro, esse tributo tem caráter regulador e sua alíquota só deveria ser alterada para "sanar turbulências no mercado financeiro". Contrariando esse entendimento, o Planalto elevou o IOF com objetivo único de aumentar a arrecadação para fazer frente ao fim da CPMF. "Isso caracteriza total desvio do princípio da finalidade, do qual o administrador público não pode se eximir", aponta.
O projeto do tucano se baseia no artigo 49 da Constituição Federal, segundo o qual é de competência exclusiva do Congresso Nacional sustar atos normativos do Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa". Alvaro Dias observa que a gestão petista não só exorbitou de sua "competência legal", como ignorou e violou princípios constitucionais ao elevar a cobrança do IOF. "O governo extrapola das suas possibilidades de legislar no recesso e o Congresso Nacional tem o dever de tomar essa providência", afirmou o paranaense logo após protocolar os projetos na Mesa Diretora.
Primeiro porque, conforme o tucano, o Planalto determinou "dupla incidência" do imposto sobre as mesmas operações. "No caso de empréstimos, inclusive financiamentos, incide a alíquota de 0,0082% ao dia (já majorada em 100% pelo próprio decreto) e a alíquota adicional de 0,38%. Fica evidente que não se trata de mera majoração, mas, na prática, da criação de adicional de imposto com alíquota diferente e uniforme, além do próprio IOF", alerta.
Além disso, o parlamentar paranaense ressalta que o decreto de Lula "viola de maneira afrontosa" o princípio constitucional da isonomia tributária ao impor "discriminação indevida entre os tomadores, onerando mais as operações de crédito cujos mutuários sejam pessoas físicas (alíquota de 0,0082%), em relação àquelas em que os mutuários são pessoas jurídicas (alíquota de 0,0041%)". "Ou seja, em operações idênticas com valores e condições iguais, o crédito tomado por pessoa física sofre injustificadamente maior gravame que o tomado por pessoa jurídica", esclarece.

QUEBRA DE ACORDO
Alvaro faz referência ainda à quebra do acordo selado com a oposição, em nome do presidente da República, pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), para viabilizar a prorrogação da Desvinculação das Receitas da União (DRU). "Vale a pena elencar aqui alguns compromissos assumidos para que a DRU fosse aprovada: o governo não editaria medidas semelhantes à CPMF; não haveria risco de edição de pacote tributário; o governo negociaria cortes de despesas no orçamento no Congresso Nacional; além de regulamentar a emenda 29 para garantir recursos para os serviços de Saúde".
"Como se viu o governo mais uma vez preferiu ignorar o acordo e desgastar suas lideranças e ministros, colocando em dúvida uma relação que poderia nortear um relacionamento produtivo no âmbito do Congresso", lamenta o tucano.
A expectativa de Alvaro era de que a proposta fosse analisada em reunião da Comissão Representativa do Congresso Nacional. Porém, após sinalizar que deveria convocar a comissão nesta terça-feira, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), voltou atrás e anunciou no final da tarde que não haveria a convocação. O peemedebista alegou que não haveria urgência que justificasse a análise do assunto por um número reduzido de parlamentares - o colegiado é composto por 17 deputados e oito senadores.
Antes do anúncio de Garibaldi, o senador paranaense defendeu a discussão dos projetos em uma eventual reunião. "A comissão é constituída exatamente para deliberar sobre matérias dessa natureza durante o recesso parlamentar. Há agora, portanto, um fato concreto que justifica a convocação da comissão representativa", salientou o tucano. Com o cancelamento da reunião, a proposta de Alvaro será discutida somente no início do período legislativo, que começa em 6 de fevereiro.
Entre as atribuições da comissão, que representa o Parlamento durante o período de recesso, está justamente a de sustar atos normativos do Poder Executivo. Caso fosse convocado, o colegiado analisaria ainda o projeto de decreto legislativo de autoria do deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) sustando a vigência da Instrução Normativa 802, da Secretaria de Receita Federal. A nova norma impõe às instituições financeiras o repasse semestral de dados sobre operações financeiras de pessoas físicas e jurídicas que ultrapassem R$ 5 mil e R$ 10 mil, respectivamente.

Veja AQUI a íntegra do projeto de decreto legislativo (em DOC)

Fonte: Agência Tucana

Feijão com arroz pesa mais no bolso do brasileiro

O ano mal começou, e a inflação dá sinais de que pode continuar subindo. O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) calculado pela FGV para o período de 30 dias encerrado em 7 de janeiro teve variação de 0,89% - 0,19 ponto percentual acima do período anterior, encerrado em 31 de dezembro, e a maior taxa registrada desde maio de 2005. O resultado foi influenciado pela alta dos alimentos in natura e pelo reajuste das mensalidades escolares.
De uma lista de 21 itens de alimentos, 15 ficaram mais caros entre 8 de dezembro de 2007 e 7 de janeiro de 2008. O tradicional feijão com arroz subiu 17,38%, e as frutas, 3,28%. Com a volta às aulas em fevereiro, os preços das mensalidades e de materiais escolares também já começaram a subir. O grupo educação, leitura e recreação, que já tinha subido 0,27% no mês de dezembro, registrou alta de 0,72% no período encerrado em 7 de janeiro.
Ainda assim, economistas como André Braz, da Fundação Getulio Vargas (FGV-RJ), não apostam em picos inflacionários como os ocorridos em 2007, devido à aceleração de preços dos produtos agropecuários.
Mas outras pressões inflacionárias virão dos serviços, comenta Gian Barbosa, da consultoria Tendências. Ainda que seja uma pressão sazonal, ele aposta em aumentos nos preços, por exemplo, de cinemas e hotéis.
A mesma opinião é compartilhada por Carlos Thadeu Filho, do Grupo de Conjuntura da UFRJ. Segundo as projeções do economista, os serviços devem ter altas próximas de 5% em 2008 - pouco acima da meta de inflação, de 4,5%.
O feijão foi o vilão da inflação em 2007. O produto fechou o ano em alta de 198,77%, no atacado. Os produtos agropecuários em geral responderam por 40% da inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI). Esse indicador praticamente dobrou em 2007, saltando de 3,79%, no ano anterior, para 7,89%. O IGP-DI fechou dezembro em alta de 1,47%, a maior taxa desde março de 2003.
- A inflação dos alimentos em 2008 pode não ter a mesma magnitude da de 2007. Mas o consumidor ainda vai conviver com preços elevados. A inflação deve continuar a ser um problema em 2008 - analisa Sérgio Vale, da MB Associados.
Braz, da FGV, faz avaliação semelhante. Para ele, o ajuste entre oferta e demanda de alimentos já começou a ocorrer e deve provocar uma desaceleração gradual dos preços dos produtos agropecuários, no atacado, e dos alimentos, no varejo:
- Os próximos resultados dos IGP-DI podem mostrar novos aumentos, mas não tão elevados quanto os do passado.
Uma inflação na casa dos 4% é difícil de combater, mas não é uma ameaça, analisa Salomão Quadros, também da FGV. Ele não acredita que a inflação dispare em 2008. O que pode acontecer "é o brasileiro não ter os mesmos ganhos de renda".
Outro item com impacto sobre o Índice Nacional da Construção Civil (INCC-DI), - com peso de 10% no IGP-DI - foi o cimento, que registrou em 2007 alta de 18,24%, a maior desde 2002, quando os preços do produto subiram 26,9%.
- Em 2001, o preço do cimento subiu 24,14%; em 2000, 14,85%, e em 1999, 31% - lembrou Braz, comentando que a alta dos preços do produto foi a principal responsável pela aceleração do INCC, que subiu de 5,04%, em 2006, para 6,15%, no ano passado.

Fonte: O Globo

Cargos em troca de cortes
Editorial do Estadão

O bazar do Planalto reabriu as portas. É o jeito lulista de fazer política. Tendo ignorado por completo a base aliada no Congresso, no empacotamento das medidas concretas de aumento de impostos e da intenção anunciada de cortar R$ 20 bilhões do gasto dos Três Poderes, uma coisa e outra para irrigar as contas federais depois que secou a fonte da CPMF, o presidente Lula mandou os seus "vendedores" queimarem o estoque de cargos que podem ser mercadejados com os partidos governistas. A idéia é neutralizar no nascedouro os ensaios de traição dos parlamentares expostos ao risco de serem privados do seu capital mais precioso - a materialização das suas emendas, individuais ou de bancada, ao Orçamento da União, que somam mais de R$ 60 bilhões. É jogo jogado, como se diz. "Se o governo vai cortar emendas, tem de liberar os cargos", anuncia as suas condições o líder do PR na Câmara, Luciano do Castro. "Passar a tesoura nas emendas é arrumar encrenca com o Congresso."
Depois de ter feito muito, mas não o suficiente - no conspurcado plano fisiológico, bem entendido - para prevenir as defecções nas bancadas da coalizão, que se revelariam decisivas para a derrubada da CPMF no Senado, desta vez no Planalto não se admite a hipótese de que os seus parceiros de mesa estejam blefando. "Qualquer ameaça tem de ser levada em conta", concede o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. Ele se refere, naturalmente, à possibilidade de que um certo número de deputados e senadores da base se vinguem do governo, deixando espaço para a oposição bloquear a votação do Orçamento-Geral da União e, no limite, pôr em xeque a aprovação da medida provisória que aumentou a CSLL. (Por decreto, o presidente Lula fez o mesmo com alíquotas do IOF.) O Congresso voltará a funcionar em fevereiro, depois do carnaval. O governo corre contra o tempo: as decisões sobre a execução orçamentária, neste ano eleitoral, precisam ser tomadas todas no primeiro semestre.
Daí a urgência em "tentar resolver as demandas reprimidas nos Estados", conforme o eufemismo do ministro para a frustração das caciquias partidárias diante do não preenchimento das vagas federais pelo País afora. "Tentar resolver" é bem o termo, porque as demandas são também conflitantes e não raro excedem à oferta. Trata-se de qualquer coisa como 300 cargos regionais negociáveis. Isso sem falar nos muito menores e muito melhores empregos na cúpula das estatais do setor energético, como a Eletrobrás, Eletronorte e Eletrosul. O PMDB-Senado finalmente deve emplacar o maranhense Edison Lobão como titular de Minas e Energia. Mas o PMDB-Câmara também apresenta a sua fatura nessa área - nada menos do que a diretoria internacional da Petrobrás. O pior, para Lula, é que, supondo possível a quadratura do círculo, com o pleno atendimento das reivindicações concorrentes no seio do governismo, ainda assim continuará sendo mais fácil falar em cortes do que cortar.
"Todo mundo acha que é preciso cortar, mas não no seu setor", resume Monteiro, constatando uma eterna verdade na esfera pública nacional. No regime constitucional dos Poderes "harmônicos e independentes entre si", o Executivo não tem a prerrogativa de dizer ao Legislativo e ao Judiciário quanto e onde gastar. A isso se acrescentam, no caso do governo, os gastos insuscetíveis de cortes, como as transferências e repasses de recursos estabelecidos na Constituição. Fechando o círculo, este é um governo que faz praça de sua crescente prodigalidade ali onde está livre para gastar menos ou mais. Foi esse desregramento erigido em filosofia administrativa que levou Lula a admitir, no seu mais recente programa semanal de rádio, anteontem, que é preciso cortar. "Resolvemos com muita seriedade e tranqüilidade anunciar ao Brasil que temos de cortar na veia outra vez."
É pena que, mais uma vez, tenha se confundido com as metáforas. Cortar a (não na) veia é coisa de suicida. Para economizar gastos é preciso "cortar na carne". Aliás, para deter a verdadeira hemorragia de gastos que só se mantém à custa de uma das mais iníquas cargas tributárias do planeta, não se pede que se corte na carne da administração pública, mas sim nas suas enxúndias político-administrativas.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Envio de spam poderá ter multa de até R$ 200 por mensagem

Proposta foi apresentada pelo deputado Eduardo Gomes

O envio de spams poderá ser punido com multa caso a Câmara aprove o Projeto de Lei 1227/07, do deputado Eduardo Gomes (PSDB/TO). A proposta define o spam como qualquer mensagem eletrônica não solicitada, isto é, enviada por e-mail ou outro procedimento sem prévia autorização do remetente. A proposta admite o envio de mensagem eletrônica comercial apenas quando houver relação comercial pré-existente entre o remetente e o destinatário.
Os infratores pagarão uma multa de até R$ 200 por mensagem eletrônica comercial não identificada enviada ou mensagem não solicitada enviada em desacordo com as exigências da lei. O envio de uma mensagem eletrônica a destinatário que tenha optado por não recebê-la também será multado em até R$ 200.
Além disso, a mensagem deverá conter um endereço válido para resposta e oferecer um procedimento claramente identificável para que o destinatário opte por não receber outras mensagens do remetente. Uma mensagem eletrônica não solicitada poderá ser enviada uma única vez, desde que atenda a essas exigências.
Os provedores de acesso a redes de computadores serão obrigados a manter recursos que possibilitem aos usuários identificar, bloquear e optar por não receber mensagens eletrônicas não solicitadas. Caso o provedor deixe de oferecer esses recursos, será multado em até R$ 500, com acréscimo de 1/3 na reincidência.
O projeto caracteriza como crime o falseamento e a fraude nas informações sobre o remetente das mensagens, sobre a data e hora de expedição ou do roteamento de qualquer mensagem eletrônica. A conduta criminosa será punida com detenção de três meses a dois anos, e multa de até R$ 500 por mensagem falseada ou fraudada.
Eduardo Gomes lembra que o envio de mensagens não solicitadas é um dos principais problemas na internet atualmente. "Estatísticas recentes revelam que mais da metade das mensagens que trafegam na rede mundial são spam. Essa proporção crescerá ainda mais nos próximos anos", teme.
Segundo o deputado, além do transtorno para o destinatário, o spam é um problema econômico para a rede mundial de computadores. "Embora saia de graça para o remetente, o custo do tráfego de spam é arcado pelos serviços de acesso à rede e pelos que a sustentam, tais como governos nacionais e instituições de fomento à pesquisa", salienta.
O parlamentar reconhece que a aplicação da lei é difícil para coibir o tráfego indesejado de spams, por conta do caráter supranacional da Internet e da dificuldade de identificação do remetente. Mesmo assim, afirma entender que "a discussão do problema é de grande relevância para a comunidade de usuários da rede" e o Congresso não pode evitá-la.
O projeto tramita em conjunto com o PL 2186/03, que já foi aprovado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática. As propostas serão analisadas pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania antes de seguir para o plenário.

Fonte: Agência Câmara

As veias abertas do mensalão
Ugo Braga

A confirmação de José Dirceu sobre o esquema permite uma reflexão profunda sobre a máquina política brasileira e suas engrenagens
O perfil do ex-chefe da Casa Civil José Dirceu publicado na edição da revista Piauí mandada às bancas no último fim de semana é um manancial, um mangue. Dele, pode-se tirar quase tudo. Pela primeira vez, por exemplo, um petista graúdo veio à público e não só parou de negar, mas admitiu, confirmou e ainda teceu explicações sobre o mensalão. Às vezes, metendo-se a mão na lama, sai caranguejo grande.
Ao defender-se da acusação de ser chefe do esquema, Dirceu sempre argumentou que tal hipótese era nula, por impossível. Se o esquema não existia, como poderia ele ser chefe? Agora, a coisa mudou. E não sou eu quem diz. Para tanto, reproduzo as aspas do personagem em questão.
"Esse pessoal (referia-se às alas mais à esquerda do PT) é assim. Chegava para o Delúbio e falava: `Delúbio, preciso de um milhão´. Como é que alguém vai arrumar esse dinheiro assim, de uma hora para outra? O pobre do Delúbio tinha de ir aos empresários, conseguir doações. Aí, estoura o mensalão e esse pessoal vem dizer que o Delúbio era o homem da mala. O que não dizem é que a mala era para eles."
Bom, há aí uma explicação de gente de dentro sobre o que o mensalão era para o PT. Mas essa é uma perspectiva simples e rasa. A confirmação de Dirceu permite outra, mais profunda, sobre a máquina política brasileira, suas engrenagens e conseqüências.

A FIRMA
Talvez pelo fato de o Brasil ser um país subdesenvolvido, a maior empresa nacional sempre foi o governo. Ainda mais depois que a Constituição de 1988 delegou ao Estado uma imensa gama de serviços públicos universais e gratuitos. Para atender à clientela tão vasta e a preço tão barato, a firma precisa de um cabedal extenso de fornecedores. Tem-se, pois, que o presidente da República administra a organização econômica que mais compra na economia. Toda compra realiza um pagamento, todo pagamento tem um recebedor.
A administração do governo, como sabemos, não é puramente gerencial. O chefe a reparte em departamentos. Entrega cada um deles a alguém de sua confiança, a quem chama de ministro, responsável por fazer pagamentos, muitos e bilionários, a fornecedores privados capazes de transformar em ação pública as políticas emanadas da empresa.
Pois bem, o que aconteceu depois da redemocratização? Nenhum grupo político conseguiu chegar ao poder sendo amplamente majoritário. Precisou unir-se a outras forças com o intuito de governar. E precisou entregar a essas forças cada um daqueles departamentos, com seus pagamentos milionários.
Chego a meu ponto: os grupos políticos pós-redemocratização cresceram e sobreviveram corrompendo os pagamentos da maior empresa nacional, justamente aquela cuja multiplicidade de comando e fragilidade de controle, somados à torrente de recursos a transitar continuamente, a tornavam verdadeira fonte inesgotável de financiamento eleitoral.

NOVA ADMINISTRAÇÃO
Tudo mudou em 1º de janeiro de 2003. Incomodados com os pífios resultados do modelo de gestão anterior, os donos da empresa elegeram um novo grupo de administradores - o PT. Estes, mudaram um pouco o esquema. Assumiram os departamentos. E dominaram todos aqueles pagamentos com que os grupos políticos se sustentavam.
O problema é que o PT, tal qual seus antecessores, também não venceu a eleição de forma amplamente majoritária. E, dado que o Brasil, como de resto todo o mundo civilizado, dividiu o poder em três instâncias autônomas e interdependentes, precisava das outras forças políticas para governar, notadamente no Congresso Nacional. Eis o mensalão. Eram pagamentos, ou doações, como prefere Dirceu, arrecadados fora da máquina pública para irrigar a vida partidária, pagando-lhes despesas e viabilizando sua existência.
O arranjo ruiu quando alguns personagens previram uma catástrofe. Se os pagamentos fossem interrompidos num ano eleitoral, só o PT teria dinheiro em caixa. Elegeria bancadas formidáveis no Congresso e, pela primeira vez, uma força política orgânica estaria em condições de exercer o poder sozinha. Ou, pelo menos, com ampla preponderância sobre as demais. Roberto Jefferson foi uma espécie de profeta desse acontecimento. Por isso, denunciou o esquema.
A julgar pelas reações posteriores, a sociedade brasileira condenou o mensalão. De certa forma, trata-se de uma espécie de declaração de pluripartidarismo. O governo do PT viu-se obrigado a montar a empresa segundo a velha distribuição de departamentos, com seus muitos pagamentos e diversos interesses em jogo.
E, reeleita, preparou um grande e bilionário pacote de obras públicas, a que batizou com pompa de Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Fonte: Correio Braziliense

Só em eventos, governo federal já gastou R$ 430 mi
Sérgio Gobetti

Análise dos números do Siafi mostra que exposições e festas são as que mais têm crescido

O governo federal já gastou R$ 430 milhões com a realização de exposições, congressos, conferências e festas desde o início da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os dados foram extraídos do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) e, num momento em que o próprio presidente determinou a racionalização dos gastos, mostram que esse tipo de despesa supérflua é uma das que mais crescem na Esplanada dos Ministérios e nos demais Poderes.
Entre 2001 e 2003, o gasto médio com essa finalidade oscilava em torno de R$ 42 milhões ao ano. Entre 2004 e 2007, a média pulou para R$ 111 milhões anuais. No ano passado, os Ministérios dos Esportes e do Turismo lideraram a gastança com exposições e congressos: R$ 21,6 milhões e R$ 11,8 milhões, respectivamente. Com festividades e homenagens, quem mais gasta é o Ministério da Defesa (R$ 4,7 milhões ao ano), seguido pelo Ministério das Relações Exteriores (R$ 2,2 milhões).
Uma das entidades que mais faturam com a realização de eventos e divulgação do turismo brasileiro é a Federação Brasileira de Convention e Visitors Bureaux.
Essa ONG já recebeu R$ 110 milhões desde o início do governo Lula e está entre as 20 entidades privadas sem fins lucrativos que mais recebem recursos do governo federal, embora não conste da lista investigada pela Corregedoria-Geral da União (CGU).
Até 2002, essa federação quase não recebia recursos da União. Foi no governo Lula, na gestão do ex-ministro Walfrido Mares Guia, que a entidade começou a aparecer com destaque nos extratos do Siafi analisados pelos técnicos da Comissão de Orçamento do Congresso. Hoje, seu faturamento anual com dinheiro federal é do mesmo nível do Serviço Social da Indústria, o Sesi, e se aproxima do das centrais sindicais.
Além dos gastos com festas e congressos, outra despesa supérflua também chama a atenção: são as de "copa e cozinha".

COPA E COZINHA
Entre compra de materiais e contratação de serviços de garçom, o governo Lula e os chefes dos demais Poderes já gastaram R$ 313 milhões nos últimos cinco anos. A média anual de gasto com "copa e cozinha" era de R$ 30 milhões entre 2001 e 2003 e em 2007 chegou a R$ 88 milhões.
Nessa seara, o Ministério da Saúde é que lidera o ranking da gastança: desembolsou R$ 22,6 milhões no ano passado com a contratação de serviços de copa e cozinha, seguido pelo Ministério da Educação (R$ 5 milhões) e pela Presidência da República (R$ 4,8 milhões).
Nem a Câmara dos Deputados gasta tanto com garçons e comida - R$ 4,6 milhões em 2007, valor igual ao do Ministério Público da União.
Outro sinal de preocupação aparece na evolução dos gastos da União com serviços de apoio administrativo, que passaram de R$ 408 milhões em 2002 para R$ 1,1 bilhão em 2007.
A conta de combustíveis para abastecer os veículos oficiais também cresce velozmente: de R$ 312 milhões em 2002 saltou para R$ 726 milhões em 2007.

Fonte: O Estado de S. Paulo

E quando seis não são meia dúzia? José Nêumanne

O Partido dos Trabalhadores (PT) é um aplicado discípulo dos coronéis da Guarda Nacional de antanho. Sua Bolsa-Família, por exemplo, é uma versão contemporânea do ancestral método de dar o peixe, em vez de ensinar o pobre a pescar, que os chefes políticos regionais da República Velha usavam. Não apenas para assegurar os préstimos do agraciado em troca de um punhado de farinha, mas também para mantê-lo sob jugo permanente: o homem capaz de produzir o próprio alimento pode conquistar a autonomia e, depois, negar-se a servir ao barão. Mas na adaptação do feudalismo coronelista ao figurino socialista, que os petistas dizem vestir, há também o abandono de velhas práticas que garantiam a solidez das relações entre manda-chuvas e súditos. Uma é a do fio de bigode: entre coronéis o empenho da honra valia mais que documento. No neocoronelismo petista a palavra é vaga e a promessa, vã: obtida a regalia, não se cumpre a contrapartida ofertada.
Não se trata de algo novo, posterior à ascensão do grupo ao poder, mas de uma práxis adotada desde a pré-história petista na era heróica do sindicalismo autêntico. O problema é que, ao usar na gestão pública essa tática de se comprometer e voltar atrás para tirar vantagem nas negociações para aumentar salário, melhorar as condições da categoria ou parar greves, o grupo que está no poder federal não leva em conta o fato de que aqui vige uma democracia. E na democracia moderna, apoiada em instituições impessoais, e não no carisma dos líderes, o compromisso não se limita ao fato de a palavra real ser irreversível (afinal, "palavra de rei não volta atrás"). Mas vai além disso: é a garantia de confiabilidade, sem a qual a negociação política perde o valor. Talvez o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem precisasse assegurar que não criaria novo imposto nem elevaria a alíquota de algum já existente para obter o que precisava naquele momento - a renovação da Desvinculação das Receitas da União (DRU). A oposição se tinha concentrado na luta contra a prorrogação da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF) e deu a impressão na votação seguinte de que nem sabia direito como votar. O discurso monolítico da rejeição ao imposto do cheque diluiu-se num arrazoado confuso na votação posterior. Mas o fato é que, precisando ou não, o presidente prometeu o que não faria para conseguir o que pretendia.
Ao baixar um pacote no primeiro dia sem o jorro da fonte da CPMF nos jardins do erário, o presidente fez muito mais que faltar à palavra dada e quebrar a promessa: ele cuspiu nas instituições e jogou areia nas engrenagens da máquina que faz a democracia funcionar. Não foi a oposição que lhe negou os três quintos dos votos do plenário para prorrogar até 2011 a arrecadação garantida de R$ 40 bilhões por ano: foi o Senado. Ou seja, o Poder Legislativo. Aliás, o Poder republicano por meio do qual o povo é diretamente representado. Mais que voltar atrás na palavra de rei, ele desrespeitou uma decisão da sociedade, representada pelos senadores. Os milhões de votos que teve da mesma sociedade não lhe podem servir de pretexto para tanto, pois a regra do jogo que ele aceitou jogar quando jurou respeitar a Constituição prevê a autonomia e a soberania dos Poderes. Da mesma forma que congressistas e juízes não estão autorizados a interferir em atos do Executivo, não é lícito que o chefe deste Poder ignore decisões dos parlamentares só porque estas o desfavorecem.
Por mais que solapem o crédito ou usurpem do cidadão os escassos ganhos que havia reconquistado com a decisão de não prorrogar a CPMF, as medidas anunciadas na virada do ano merecem repulsa e revolta muito mais pelo atentado que cometem contra o Estado de Direito. Sempre fiel a seu estilo, o funcionário encarregado de divulgá-las, Guido Mantega, ministro da Fazenda, disse que o aumento do IOF no lugar da prorrogação da CPMF era a troca de "seis por meia dúzia". A frase reduz ao rés-do-chão a brutalidade da intervenção autoritária do governo a que ele pertence, mas não era necessária para que se tivesse noção do atentado cometido contra as instituições democráticas por um grupo que, no poder, confunde popularidade com legitimidade e prestígio com licença para exercer o arbítrio.
O índice de aprovação de Lula, que chegou a 65% na última medição, não deveria autorizar pequenas malandragens do gênero, mas fortalecer ainda mais o senso de responsabilidade que um estadista precisa ter numa situação dessas. Mas, se a esperteza dele é lamentável, mais execrável ainda é a incompreensão de setores do Legislativo, que, em vez de reagirem à altura à afronta, oferecem o flanco para que o chefe do Executivo o chute de novo. Foi preciso que, uma vez mais, uma voz autorizada do Supremo Tribunal Federal (STF) repusesse as coisas em seus devidos lugares para que um partido da oposição - o DEM - pelo menos franqueasse ao Judiciário a oportunidade de restaurar os direitos mínimos da cidadania, esbulhados e achincalhados pelo Estado estróina. Longe vão os tempos em que parlamentares alinhados politicamente com o regime militar reagiam de maneira altiva às investidas autoritárias dos hierarcas do Planalto. Viciado em dizer amém aos poderosos que têm a chave do cofre da Nação, o Parlamento ainda não se ergueu para se impor, mas se mantém de cócoras para continuar devorando as migalhas do banquete em que os donos do poder republicano se refestelam. A ação direta de inconstitucionalidade do DEM e o decreto de Alvaro Dias (PSDB-PR) tornando as medidas sem efeito são indícios de que há, pelo menos na oposição, sinais de vergonha na cara no Congresso e o cidadão não está de todo indefeso. Se o ministro Marco Aurélio Mello estiver certo, o STF a ajudará a acender uma vela na treva.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Caso Masp: secretário elogia eficiência da Polícia de SP

Agentes devolveram duas telas furtadas ao museu nesta terça

As duas telas do Masp (Museu de Arte Moderna de São Paulo) recuperadas ontem pela Polícia Civil paulista voltaram ao local de origem na manhã desta quarta. Furtados em 20 de dezembro, numa operação que durou pouco mais de três minutos, os quadros "O Lavrador de Café", de Portinari, e "O Retrato de Suzanne Bloch", de Picasso, avaliados em mais de R$ 100 milhões, foram recuperadas em Ferraz de Vasconcelos, na Região Metropolitana de São Paulo. Além das obras, a equipe do Deic (Departamento de Investigações Criminais) apresentou dois acusados de terem cometido o delito.

INTELIGÊNCIA
A ação foi coordenada por policiais da 3ª Delegacia de Crimes contra o Patrimônio, sob a supervisão dos delegados Adilson Marcondes e Marcelo Teixeira Lima. Marcondes informou que R.J.J., de 32 anos, foi preso no local, e F.L.L.L., de 33 anos, havia sido detido no dia 27 de dezembro, na capital paulista. R.J.J. foi quem indicou o local onde os quadros estavam escondidos, uma residência em Ferraz de Vasconcelos. Segundo o delegado que preside o inquérito, as obras foram encontradas protegidas por uma capa de plástico atrás de uma cama. No imóvel não havia ninguém.
Maurício Freire, delegado geral da Polícia Civil paulista, explicou que a investigação corre em segredo de justiça, e que maiores detalhes sobre como ocorreram as prisões e a apreensão das obras ainda não podem ser revelados porque nem todos os envolvidos foram identificados e isso poderia prejudicar investigações futuras. "É evidente que eles não cometeram o crime para ficar com as obras. As diligências agora serão no sentido de descobrir quem encomendou ou para onde iriam os quadros", disse.
De acordo com ele, os dois homens presos participaram da ação no dia do furto e também estão envolvidos com as outras tentativas de roubo que ocorreram anteriormente. F.L.L.L. admitiu ter participado em uma das tentativas, mas negou o furto. R.J.J. possui uma extensa ficha criminal e era foragido da penitenciária de Valparaíso, onde cumpria pena de 13 anos por assalto.

A MELHOR DO PAÍS
O delegado geral destacou o "primoroso trabalho de investigação da polícia", assim como fez o secretário estadual de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, que classificou a polícia do estado como a melhor do Brasil. "Gostaria de cumprimentar a Polícia Civil de São Paulo pela rapidez, presteza e eficiência demonstradas neste caso. Agradeço, não apenas como secretário, mas também como cidadão, por esses patrimônios da humanidade terem sido recuperados", afirmou.
Depois de examinar as telas na noite de terça, Eunice Sophia, perita do Masp, garantiu que elas estão em perfeito estado. "São duas preciosidades que estão voltando ao museu, como dois filhos que retornam para casa", comemorou ela.
Júlio Neves, presidente do Masp, também esteve no Deic na noite de terça-feira para fazer o reconhecimento das obras e fez questão de parabenizar as autoridades e a polícia pelo trabalho realizado. "Gostaria de agradecer o brilhante, competente e dedicado trabalho da polícia paulista por nos devolver este patrimônio que não é só de São Paulo, mas do mundo inteiro". Ele lembrou ainda o empenho da Polícia Militar, que também esteve concentrada todo o tempo em resolver o caso.

Fonte: Governo de São Paulo

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Política

Em sua última reunião, PT ataca FHC e a mídia

Em sua última reunião do ano, a Executiva Nacional do PT reforçou o ataque à oposição, responsabilizando principalmente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) pela derrota do governo na votação da CPMF. Em resolução aprovada ontem, o PT avaliou que, ao rejeitar o o imposto do cheque, a oposição “beneficiou os sonegadores” e prejudicou usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
(...)
“Ele raciocinou com o fígado e não percebeu que a seguridade social está em jogo”, afirmou o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente reeleito do PT. “Teve uma visão mesquinha e olhou para a eleição presidencial de 2010, sem pensar no País”, completou o deputado Henrique Fontana (PT-RS), líder do governo na Câmara. Os petistas pretendem engrossar os ataques ao ex-presidente em 2008, ano de eleições municipais. (...) “Nós queremos fazer esse debate”, avisou Henrique Fontana. “O PT errou quando era oposição ao rejeitar a CPMF, mas nunca tinha passado pelo governo. Agora, de um ex-presidente eu esperava mais responsabilidade.”
(...)
A resolução do PT também dirigiu farpas ao que os petistas chamaram de “noticiário distorcido” de “parte” dos meios de comunicação sobre as possíveis alternativas para compensar a perda de R$ 40 bilhões com o fim da CPMF.
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Jovens - Entre 83 países, Brasil é o terceiro com maior número de mortes violentas

A violência continua sendo o maior fator de risco para os jovens brasileiros. De cada 100 mil jovens, 49,6 são assassinados a cada ano. Outros 22 morrem por acidentes de trânsito. A violência leva Estados como o do Rio, com renda alta e boa escolaridade, a se tornar um dos piores lugares do País para um jovem viver. Entre 83 países que apresentam dados comparáveis, o Brasil só perde em violência para Colômbia e Venezuela. Mesmo assim, o número de assassinatos no País vem caindo. Chegaram a ser 55 por 100 mil em 2003. Essa queda, no entanto, está sendo compensada para o lado ruim pelo crescimento nos acidentes de trânsito. “Há dez anos, logo depois do lançamento do Código Brasileiro de Trânsito, houve queda, mas voltou a subir”, explicou o pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz. “Tivemos pela primeira vez queda na violência por anos consecutivos, mas estamos perdendo esses avanços pelas mortes em acidentes.” Assinante lê mais aqui

Família de rapaz assassinado com choques elétricos vai processar estado

A família de Carlos Rodrigues Júnior, de 15 anos, morto na madrugada de sábado quando seis policiais militares invadiram sua casa para prendê-lo sob acusação de ter roubado uma moto, vai processar o Estado. “Vamos entregar os documentos necessários e buscar tudo o que a lei nos dá de direito, mesmo sabendo que isso não trará ele de volta”, disse ontem a irmã dele, Deise Rodrigues, de 22 anos. “Eu não consigo tirar da cabeça a imagem do Juninho caído e ainda ouço os gemidos dele vindos do quarto onde estava com os soldados”, afirmou a mãe, Elenice Silveira Rodrigues, de 56 anos. Desde sábado, ela chora muito e não consegue dormir. Hoje, vai fazer uma consulta psiquiátrica - “para tentar o reequilíbrio”. “Está muito difícil; a gente lembra dele em todo canto da casa para onde olha.” Para Deise, o sentimento piora porque não podem deixar a casa onde ocorreu a execução. Ela e a mãe trabalham em casa, como costureiras de camisas. “Não conseguimos voltar ao trabalho, embora a gente viva disso.” Assinante lê mais aqui

O retrovisor encoberto do PT - Editorial do Estadão

O ano de 2005, o do escândalo do mensalão, é história antiga. O ano de 2006, o do escândalo do dossiê antitucano, também. O que interessa são as eleições, a do ano que vem nos municípios e a nacional, de 2010. É rigorosamente isso que o presidente reeleito do PT, deputado Ricardo Berzoini, quer dizer com a conhecida metáfora que não se cansa de repetir: "Temos de ter um retrovisor para olhar bem o passado, mas também olhar para a frente, se não desgovernamos o carro." A primeira metade da frase e o "também" que se lhe segue são concessões semânticas, fazendo lembrar o dito de que a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude. Sugestivo, em todo caso, o uso do verbo desgovernar. Para o comandante-chefe dos aloprados que deitaram a perder a reeleição do comandante deles todos, Luiz Inácio Lula da Silva, já no primeiro turno, com a armação baixa e tosca contra o então candidato a governador José Serra, o perigo a evitar não é o de um novo atolamento do partido no terreno da amoralidade política. É o de que a revisão do passado tire o carro do caminho reto - aquele que mais rapidamente conduz ao poder, bem entendido.
Mas seria injusto tratar Berzoini como o único dos petistas estrelados a querer cobrir o retrovisor com um tecido opaco. O recém-concluído Processo de Eleição Direta (PED) da agremiação apenas confirmou que a maioria dos companheiros, a começar do presidente Lula, eleitor da chapa vitoriosa, não está nem aí para o que devem considerar filigranas éticas. O passamento, sem choro nem vela, da idéia da "refundação" do partido, lançado pelo ministro Tarso Genro, ainda sob o impacto do mensalão, é uma história que se repete - com ar antes de farsa do que de tragédia. Não fosse assim, Berzoini não teria sido eleito já da primeira vez. Não fosse assim, o candidato do atual titular da Justiça nessa última eleição, o deputado paulista José Eduardo Cardozo - que pôs a questão ética no topo de suas prioridades -, não teria tido o desempenho pífio que se viu na rodada inicial da disputa. Não fosse assim, boa parte dos que votaram em Cardozo não teria aderido a Berzoini no segundo turno, apenas por entender que o candidato remanescente, o também deputado martista Jilmar Tatto, era dos males o pior, como Tarso Genro só faltou afirmar.
Por isso, sabia o que dizia o vencedor, antes ainda da peleja: "Em 2005, eu era o único que defendia o governo, em um momento onde (sic) duvidavam da capacidade de Lula de sobreviver à crise. Hoje, as abordagens são diferentes, mas todos fecham com o mesmo projeto." Os que não fecham, as urnas petistas deixaram patente, não apitam. Daí a relativa irrelevância das exegeses que se façam da reeleição de Berzoini e do crescimento da facção que gira em torno da ex-prefeita Marta Suplicy. Mais importante é o enraizamento profundo de um projeto que levou às últimas conseqüências o pragmatismo político-eleitoral - o PT de resultados - ao qual se converteram os antigos críticos radicais do sistema. Costumava-se falar das afinidades entre petistas e tucanos. Mas, estruturalmente, o partido da estrela se parece, mais do que com qualquer outro, com o PMDB. Não apenas na prontidão para fazer qualquer negócio, postos a escanteio os seus setores comparáveis aos autênticos do velho MDB, mas também no enfeudamento da legenda, essa federação de facções que respondem a uma ou outra liderança.
Esse traço se acentuou com o desaparecimento do Campo Majoritário - o centrão criado por José Dirceu para marginalizar os puros e duros da ultra-esquerda e levar o PT à mesa do jogo político convencional. A facção que o sucedeu, Construindo um Novo Brasil, de Berzoini, embora em posição dominante, não tem o mesmo poder. Mas, não havendo hipótese de o carro ficar desgovernado por um insólito surto de distração de seus dirigentes com o passado que os condena, o único solavanco previsível na trajetória petista dos próximos anos é o mesmo que sacode os demais partidos - o choque de ambições eleitorais.
De pouca valia serão, portanto, as advertências dos minoritários que exigem a retirada dos panos sobre o retrovisor. Eles argumentam que, à falta de um acerto de contas com os ilícitos do mensalão, o PT continuará comprometido. Como se isso tirasse o sono da nação petista.

Fonte: Estadão

Governo economizará R$10 bi sem CPMF

A perda de R$40 bilhões com o fim da Contribuição Provisório sobre Movimentação Financeira (CPMF) poderá ser compensada na negociação dos títulos públicos. O expurgo da CPMF dos papéis vendidos pelo Tesouro Nacional ao mercado geraria receita extra aproximada de R$10 bilhões, nas contas do economista Paulo Rabello de Castro, diretor da RC Consultores:
- Na formação da taxa de juros para rolar (renegociar) a dívida pública, estava embutido o custo financeiro com a CPMF. Agora, sem o imposto, esse custo some.
A conta é a seguinte: a dívida pública estava em R$1,13 trilhão em outubro. Os R$10 bilhões correspondem a 1% desse total. O valor é bem superior aos 0,38% da alíquota da contribuição. A explicação está no número de negociações com o mesmo título. Segundo Rabello de Castro, o mesmo papel público chega a ser negociado mais de duas vezes.
- A CPMF era um custo em qualquer empréstimo. Não é diferente no governo.
Segundo o Tesouro Nacional, o governo não pagava a contribuição em suas operações, mas é um custo que o investidor tem ao adquirir o papel. Despesa essa embutida no empréstimo ao governo.
- Pode ser que se abra espaço para cair juros no sistema bancário. Essa redução nas rolagens da dívida vai depender de quem vencer a queda-de-braço nas negociações no mercado - disse Castro.
Paulo Francini, diretor do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), também vê nesse mecanismo uma forma de o governo compensar a perda com a CPMF:
- Estamos tentando ver opções para a CPMF. E a redução de gastos com juros é uma delas - afirmou Francini.

Fonte: O Globo

Perillo aposta em crescimento econômico sem CPMF

O senador Marconi Perillo (PSDB/GO) acredita em novo aquecimento da economia doméstica no Brasil a partir de 1º de janeiro. Isso porque o setor produtivo poderá reduzir preços e o cidadão manterá em seu bolso o que antes ambos pagavam em CPMF.
"Depois do calor das discussões, é importante notar que os R$ 40 bilhões que deixarão de ser arrecadados pelo 'imposto do cheque' não vão embora do país. Ao contrário: ficarão nas mãos do cidadão, que comprará os produtos a preço menor, dada a redução de tributação", avaliou.
Ainda durante os debates que antecederam a reprovação do imposto, Marconi destacava aos parlamentares governistas ser previsível a queda nos preços, já que a competitividade do mercado valoriza percentuais mínimos. Sobre as ameaças do governo de levar a saúde à falência ou de aumentar impostos para repor a CPMF, Marconi considera ser apenas "parte do jogo de cena".

CCJ aprova projeto de Perillo que amplia acesso ao Prouni

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou nesta quarta-feira parecer de Tasso Jereissati (PSDB/CE) a projeto de lei de Marconi Perillo (PSDB/GO) que permite a adesão de instituições oficiais estaduais e municipais pagas ao Programa Universidade para Todos (Prouni). "É fundamental que jovens de universidades públicas não gratuitas também recebam a bolsa para custear seus estudos", avaliou Perillo.
Durante a reunião, o senador destacou o programa Bolsa Universitária, criado quando era governador de Goiás. A iniciativa financiou a faculdade particular de 70 mil estudantes carentes no estado. "Esse é um exemplo que o país precisa seguir", ressaltou. O senador Flexa Ribeiro (PSDB/PA) endossou as palavras do colega e defendeu a aprovação do parecer. "Com isso, estaremos de fato universalizando o acesso ao ensino superior", apontou. A proposta segue para exame da Comissão de Educação, Cultura e Esporte, onde será votada em decisão terminativa.
No programa adotado em Goiás, foi feita uma seleção socioeconômica e, aos beneficiários, foi exigida uma contrapartida por meio de trabalhos comunitários para concessão de bolsas de ensino pagas pelo Tesouro. "A falta de vagas no ensino público faz com que o governo tenha de contemporizar a situação com a concessão das bolsas. Os milhares de beneficiários certamente já fazem diferença no crescimento sustentável no nosso estado", concluiu Perillo.

Aprovado PL de Alvaro que garante piso salarial

O plenário do Senado aprovou ontem à noite projeto de lei do senador Alvaro Dias (PSDB/PR) que estende o piso salarial a todos os técnicos de nível médio regularmente inscritos nos Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. O proposta segue para análise da Câmara dos Deputados.
Pelo projeto, o valor do piso para os técnicos de nível médio será correspondente a 66% da menor remuneração atribuída em lei para os diplomados pelos cursos regulares com registro profissional nos respectivos conselhos regionais. Como o menor salário dos profissionais formados é de cinco vezes o maior salário mínimo vigente no país, em valores atuais o piso para os técnicos seria de R$ 990,00. "Não se trata da instituição de novos pisos salariais, mas apenas de harmonização e tratamento isonômico para atividades técnicas abrangidas por um mesmo sistema de registro e fiscalização profissional", disse o senador Alvaro Dias na justificativa do projeto.
O relator da proposta, senador Paulo Paim (PT/RS), argumentou no parecer favorável que a fixação de um piso salarial para uma determinada categoria profissional é um instrumento efetivo de proteção da remuneração do trabalhador e, em relação ao piso proposto para os técnicos de nível médio, ele considerou adequado ao mercado de trabalho desses profissionais.

Fonte: Agência Tucana

Tucano quer menos MPs e Legislativo mais independente

O senador Alvaro Dias (PSDB/PR) registrou em plenário estatística levantada pela Consultoria Kramer & Omelas que, segundo o tucano, só reforça a grave distorção do princípio constitucional de harmonia entre os poderes.
De acordo com o estudo, sete entre cada dez leis ordinárias sancionadas em 2006 tiveram origem no Executivo, e a grande maioria foi de medidas provisórias. "Das 178 leis, 124 foram do Executivo, 42 do Legislativo, nove do Judiciário, duas do Ministério Público e uma do Tribunal de Contas da União. No geral, considerando as leis complementares e propostas de emenda constitucional, a participação do Legislativo sobe para 50 matérias. Contudo, o Executivo permanece à frente como responsável por 67% das matérias".
Para Alvaro Dias, os dados confirmam a prevalência do Executivo sobre o Legislativo e demonstram a banalização do uso das medidas provisórias. "Em 2006, a Câmara dos Deputados só deliberou em 36% das sessões convocadas, porque a pauta estava trancada por MPs. Portanto, esse é um dos itens da carta-compromisso que o novo presidente do Senado assinou, por solicitação do PSDB: menos medidas provisórias e mais independência do Poder Legislativo", encerrou.

Fonte: Assessoria do senador

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Política

De Lula para Guido Mantega:‘Por que não te calas?’

Antes de abrir negociação com as forças oposicionistas, o governo terá de aprender a governar-se a si mesmo. A extinção da CPMF parece ter desnorteado a administração Lula. A tal ponto que, neste domingo (16), Lula passou uma carraspana pública no gestor das arcas Guido Mantega. O pito soou como uma espécie de versão nacional do “porque não te calas?”
Na contramão do que vinha declarando o chefe, Mantega disse ao repórter Guilherme Barros que a tesoura fazendária pode alcançar os programas sociais e as obras do PAC. Antes, o ministro admitira que o governo cogita mesmo criar um tributo à CPMF, para financiar os gastos com saúde pública.
"Ele vai ter que me convencer da necessidade disso [novo tributo]”, disse Lula aos repórteres, depois de votar nas eleições internas do PT. “Falou para vocês agora vai ter que colocar na minha mesa. Eu vou decidir se precisamos ou não precisamos, quero ver todas as contas."
Lula acrescentou: "Não existe nenhuma razão para ninguém ficar nervoso, nenhuma razão para que ninguém faça uma loucura de aumentar a carga tributária. Obviamente, nós vamos ter que encontrar uma saída, porque nós não vamos parar nenhuma obra do PAC, não vamos parar nenhuma política social que estamos fazendo."
O presidente aproveitou os microfones para realfinetar a oposição. Atribuiu a rejeição da emenda da CPMF a um gesto “impensado” dos senadores. Ou, por outra, "se foi pensado, foi de má fé de algumas pessoas que votaram contra sabendo que causaram um prejuízo ou de R$ 24 bilhões na saúde ou em quatro anos deixaram que a saúde pudesse chegar dos R$ 40 aos R$ 80 bilhões."
Falta muito pouco para que o presidente diga que o triunfo da oposição brasileira, assim como o êxito dos adversários de Hugo Chávez, foi “uma vitória de mierda.”

Fonte: Blog do Josias

Aloprado derrota suspeito de ligação com máfia das vans

Que sina a do PT depois que foi atingido em cheio pelo escândalo do mensalão...
Deve releger hoje para presidente o deputado Ricardo Berzoini (SP), indiretamente chamado de "aloprado" por Lula no ano passado quando estourou o escândalo da tentativa de compra de um falso dossiê para prejudicar a eleição de José Serra (PSDB), candidato ao governo de São Paulo, e a de Geraldo Alckmin, candidato a presidente da República.
Foram funcionários do comitê eleitoral de Lula comandado por Berzoini que forjaram o dossiê junto com os cabeças da Máfia dos Sanguessugas - aquela que subornava deputados para desviar dinheiro público destinado a compras de ambulâncias a preços superfaturados. Berzoini foi afastado por Lula do comando da campanha.
Ele derrotará no segundo turno da eleição do PT o deputado federal Jilmar Tatto, ex-secretrário de Transportes da prefeita Marta Suplicy. Tatto foi acusado por Luiz Carlos Efigênio Pacheco, presidente da Cooper Pam, uma das principais cooperativas de perueiros da capital paulista, de ligações com a facção criminosa PCC.
Pacheco disse que a pedido de Tatto empregou como motoristas de vans integrantes do PCC. Na época, a prisão preventiva de Tatto chegou a ser decretada, mas depois foi suspensa.

Fonte: Blog do Noblat

O PSDB voltou a ter utopia, diz Arthur Virgílio

De Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, em entrevista a Adriana Vasconcelos e Maria Lima:

- Um grande amigo no governo me disse que o governo não travou uma batalha fiscal, mas política. Porque se precisasse tanto do dinheiro da CPMF, não daria toda a receita para a Saúde, como propôs no final. Se não dava tempo de negociar essa proposta antes, como tentamos lá atrás, como dava na última hora? Havia uma proposta maliciosa, sibilina, de ver o PSDB dividido, de procurar dividir para reinar. Um Maquiavel, um tanto personagem de Gabriel García Márquez, mas meio estilizado para o nosso subcontinente.Apostou no racha do PSDB.
- Aécio e Serra são candidatos a presidente. Eles precisam de um partido desmoralizado?Desmentido? Desmontado? Ou precisam de um partido afirmativo, debatedor, que provoque sonhos em seus militantes? Senti que esse gesto do Senado provocou sonhos na nossa militância, o partido voltou a ter utopia e as pessoas voltaram a acreditar que o PSDB é um partido firme.
- Nós, ao contrário do que fazia a bancada do PT, aprovamos quase tudo que Lula quis, desde que permitissem que interagíssemos e melhorássemos a qualidade dos projetos. Nunca fomos de tudo ou nada. Agora foi uma hora de tudo ou nada.
- Eles são prepotentes. Raiva é problema dele. Não tenho nada a ver com o humor dele. Não sou psiquiatra, não sou lexotan. Agora, espero que não fale abaixo do que deve falar um presidente da República, porque se falar haverá reação. Se fizer o jogo da reação, não terá diálogo conosco. O que ele precisa mesmo não é ameaçar ninguém, mas fazer um ajuste fiscal de qualidade, com um corte de gastos de custeio. Se fizer isso e não for suficiente, a gente discute uma alternativa.
- O presidente Fernando Henrique agiu com a consciência do homem de Estado que é. Ele é o meu principal conselheiro. Ele acha que agimos correto, que dando uma carta aberta ao Lula, para que continue gastando tudo e arrecadando tudo, só criaríamos um problema fiscal para o próximo governo. O resultado da votação pode propiciar agora a possibilidade de fazermos uma grande reforma tributária.

Fonte: O Globo

Governo já pagou quase R$ 1 bilhão a marqueteiros do PT

O governo federal deve anunciar nos próximos dias o resultado de duas das maiores concorrências lançadas para contratação de serviços de publicidade desde a posse do presidente Lula. A conta da Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto, cujo resultado é esperado para hoje, prevê o valor anual de R$ 150 milhões e a estatal Petrobras anuncia gastos de R$ 250 milhões por ano. Os dois contratos originais datam de 2003 e desde então vinham sendo renovados pelo governo. O retrospecto da distribuição das verbas publicitárias pelo governo indica que é grande a chance de as contas caírem ou continuarem nas mãos de marqueteiros afinados com o PT. Segundo levantamento feito pela Folha, publicitários que trabalharam em campanhas de Lula ou com administrações do PT abocanharam pelo menos R$ 983 milhões em verbas publicitárias da Esplanada dos Ministérios e da Petrobras desde a posse do presidente.O valor representa quase a metade (49,1%) de tudo o que foi gasto por todos os ministérios e a Presidência no período 2004-2007 e pela estatal no período 2003-2007, num total de R$ 2 bilhões. Em média, as agências ficam com 14% do bolo publicitário, e o restante vai para meios de comunicação, gráficas, produtoras de vídeo e outras empresas terceirizadas voltadas para produção e divulgação das peças -o que projeta um faturamento de R$ 137 milhões para as agências. Três marqueteiros que atuaram em campanhas de Lula estão ligados a agências que receberam R$ 920 milhões desde 2003.
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Gastos foram maiores em anos eleitorais

A Presidência gastou mais com publicidade em anos eleitorais do que em anos sem disputa nas urnas. Levantamento feito pela Folha revelou que os anos de 2004 e 2006 foram os que a administração petista mais desembolsou. Em 2005 e 2007, as despesas caíram. Em valores absolutos, o ano de 2006, em que o presidente Lula foi reeleito, foi o recordista em gastos, com R$ 156,1 milhões. Em seguida aparece 2004, ano de eleições municipais, com R$ 137 milhões. Em 2005, o valor foi de R$ 102,7 milhões. De janeiro a setembro deste ano, a Presidência gastou R$ 43,6 milhões com propaganda. A média mensal de gastos com propaganda foi de R$ 11,4 milhões em 2004 e de R$ 13 milhões em 2006. Em 2005, a média mensal foi de R$ 8,5 milhões. Em 2007, até setembro, foi de R$ 4,8 milhões. Entre 2004 e 2007, a agência de publicidade Lew Lara Propaganda recebeu R$ 158,8 milhões da Presidência, e 77% do total (R$ 106 milhões) foram pagos em anos eleitorais. A outra contratada, a Matisse, recebeu um pouco mais, R$ 160 milhões, e 78% dessa quantia foi paga nos anos de 2004 e de 2006. A empresa do publicitário Duda Mendonça, que não trabalha mais com o governo, recebeu R$ 93,4 milhões nos anos de 2004 e 2005.
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Aécio lidera ranking

O tucano Aécio Neves (PSDB), à frente de Minas Gerais e um dos nomes cotados para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010, lidera o ranking de avaliação dos governadores elaborado pelo instituto Datafolha. O paulista José Serra, também tucano e também presidenciável de oposição ao petista Lula, aparece na terceira colocação, atrás do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), irmão do deputado federal Ciro Gomes (PSB), outro nome sempre lembrado para 2010. Aécio obtém nota de 7,7, seguido por Cid Gomes, 6,6, e por Serra, 6,5. O único presidenciável petista entre os dez do ranking Datafolha é o governador Jaques Wagner (Bahia), sétimo colocado com 6,0. Apesar da boa colocação na parte superior da tabela, o PSDB ocupa o último posto do ranking. A tucana Yeda Crusius, do Rio Grande do Sul, tem 4,2 -a única nota abaixo de 5. Entre os dias 26 e 29 do mês passado, o Datafolha perguntou aos moradores, maiores de 16 anos, dos Estados avaliados que notas eles atribuem aos seus governadores em uma escala que vai de zero a dez. O ranking é elaborado com base nessa nota média. Como critério de desempate, o Datafolha utiliza um índice de popularidade criado pelo instituto -varia de zero a 200 e é calculado subtraindo-se as taxas de avaliação negativa (ruim e péssimo) das positivas (ótimo e bom); a esse resultado soma-se cem, para evitar a ocorrência de números negativos. Na quarta posição do ranking está outro aliado de Lula, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, com 6,4, do mesmo partido de Ciro. Roberto Requião (PMDB-PR) é o quinto, com 6,3; Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) aparece em sexto, com média de 6,1.
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Fonte: Folha Online

Estatais descumprem lei da transparência

Lançada em 2005 como instrumento de combate à corrupção, a lei que obriga órgãos da administração pública federal direta e indireta a divulgar seus gastos na internet é desrespeitada pela maioria das estatais. Levantamento do Instituto de Fiscalização e Controle (IFC) mostra que só 28 das 112 empresas públicas brasileiras avaliadas - que movimentam R$ 550 bilhões - oferecem em seus sites informações como execução orçamentária e financeira, como manda decreto 5.482, de 2005. Mesmo assim, nenhuma delas cumpre integralmente a obrigação.
Numa das reações ao caso do mensalão, que respingou em estatais, o governo decidiu instituir as Páginas da Transparência Pública. Cada entidade deve ter em seu site link para o Portal da Transparência, gerenciado pela Controladoria-Geral da União, que reúne dados sobre gastos do governo. O conjunto de informações é definido pela Portaria Interministerial nº 140, de março de 2006, mas só quatro estatais oferecem mais de 2/3 dos dados exigidos.
"O nível de transparência na administração direta melhorou bastante, mas ainda deixou de lado o nicho das estatais, que têm capacidade muito grande de gerar receita. Talvez por isso os cargos têm sido usados como moeda de troca política", constata Augusto Miranda, vice-presidente do IFC. Entre as que não têm o link exigido, a Caixa informou que usa infra-estrutura de seu portal para divulgar dados. Banco do Brasil disse que licitações estão expostas em seu site. A Petrobrás não retornou.

Oposição reage à recriação da CPMF por MP

A oposição recebeu ontem como uma provocação a declaração do ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendendo a criação, por medida provisória, de um imposto nos moldes da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), derrubada na quinta-feira em votação no Senado. A proposta de Mantega foi revelada ontem com exclusividade pelo Estado.
"Se essa declaração do ministro for para valer, trata-se de um desafio frontal do governo ao Congresso e à democracia. Querer recriar algo que foi derrotado no Congresso é querer confronto entre Poderes", advertiu o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).
"Falar em criar imposto através de MP em um momento como este é pequenez", afirmou o senador Alvaro Dias (PR). "A derrubada da CPMF no Senado foi a tentativa de aliviar do lombo do brasileiro a carga tributária. Recriar impostos é frustrar expectativas, já que é unanimidade no País que o povo paga imposto demais."
Para Dias, o Planalto tem feito discurso equivocado quando fala de recursos da área da saúde. "O governo quer passar a idéia de que a saúde é um extraterrestre e precisa, então, criar uma moeda própria para financiá-la. A saúde é prioridade, mas os recursos para ela devem sair do Orçamento da União", analisou o tucano.
O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), também criticou a iniciativa do governo de falar em novo tributo logo depois de ter perdido a votação no Senado da emenda que previa a prorrogação do imposto do cheque até 2011.
"O governo errou o tempo todo na negociação da prorrogação da CPMF. Perdeu dois meses na Câmara, entregou Furnas para três deputados federais e errou no Senado, pois achou que ganharia o tempo todo e não quis negociar. Só quando percebeu que não ia ganhar tentou o diálogo, mas já sem tempo para tal", recordou. "Recriar a CPMF com uma alíquota de 0,20% e cujos recursos sejam integralmente destinados para a saúde foi uma proposta feita pelo PSDB em Belo Horizonte, lá atrás. Na época, o governo a considerou ridícula."
Guerra disse ser necessário "tempo e tranqüilidade" para discutir o assunto e cobrou da base do governo, em especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Justiça, Tarso Genro, "respeito e responsabilidade democrática". "As palavras do presidente e do ministro Tarso Genro não estão ajudando", observou o tucano. Na sexta-feira, Lula falou em "irresponsabilidade" da oposição ao comentar a derrota do Planalto no Senado e o fim do imposto do cheque.
O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), afirmou que o governo não pode criar impostos ou contribuições por medida provisória, à exceção dos casos previstos constitucionalmente, como sinalizou Mantega ontem em entrevista ao Estado. "Só se pode criar impostos por MP nos casos em que há previsão constitucional. Fora esses casos, o mínimo que se exige é um projeto de lei complementar", explicou.

NOVO SISTEMA

Independentemente da possibilidade legal de instituir um imposto semelhante à CPMF, Maia disse que seu partido não está disposto a dialogar sobre a criação de tributos específicos. "De nossa parte, a criação de qualquer tributo não será bem-vinda. Se acabamos de eliminar um imposto, fato que a sociedade comemorou, não cabe a criação de um novo", afirmou.
Rodrigo Maia disse que está disposto a discutir com o governo a reconfiguração do sistema tributário. "Queremos um novo sistema tributário, sem aumento de carga e com sinalização de redução da carga no médio e longo prazo para 30% do PIB. Criar uma coisa solta, o partido tem dificuldade de ajudar", avisou. "Temos condição de refazer o sistema tributário com benefícios para a sociedade."
Na visão do parlamentar, o governo tem plenas condições de trabalhar sem a CPMF, pois o crescimento da economia deve gerar aumento na arrecadação. Além disso, defendeu um freio no crescimento das despesas. "O fim da CPMF não gera crise. Não há desespero, pois o Orçamento pode ser ajustado."
O líder do PSDB na Câmara, Antônio Carlos Pannunzio (SP), disse que o partido só aceita discutir a criação de um tributo específico para a saúde, como defendeu Mantega, no âmbito da reforma tributária. "O governo deveria sentar com a oposição e falar sério sobre a reforma tributária." Para ele, Mantega está "completamente equivocado" sobre a hipótese de criar tributo semelhante à CPMF por medida provisória. "A Constituição não permite criar tributos por meio de MP. O governo mostra que não compreendeu a decisão do Senado e está na contramão da sociedade", disse. "O governo tem de aprender a lição do Senado, que foi uma reação contrária à prorrogação da CPMF."
Além da oposição, a base aliada também recomendou "cautela" ao governo ao falar sobre a criação de um tributo semelhante à CPMF. O senador Renato Casagrande (PSB-ES) disse ter dúvidas em relação à constitucionalidade de imposto por medida provisória. Afirmou, porém, que antes de cogitar o assunto o governo deveria "pensar efetivamente em fazer um debate com o Congresso e com a sociedade". E advertiu: "Caso contrário poderá ter novas dificuldades no Congresso e novos problemas sem sucesso podem significar um desgate político muito grande."

Fonte: O Estado de S. Paulo

Senado vota afastamento de parlamentares processados

A votação do projeto de resolução que afasta da Mesa Diretora, da presidência de comissões, do Conselho de Ética e da corregedoria parlamentares que respondem a processos no âmbito do Senado é um dos destaques da semana no Congresso Nacional. A matéria foi aprovada, por unanimidade, pela CCJ e deve ser votada em plenário na próxima terça-feira às 14h. Se aprovada, a nova norma passa a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2008.

CPI DA DESNUTRIÇÃO INDÍGENA

A expectativa na Casa também é pela votação, em segundo turno, da prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU). Na última quarta-feira, a matéria foi aprovada por 60 votos a 18, em primeiro turno, e pode entrar na pauta do plenário. A DRU é o mecanismo que permite ao governo gastar livremente 20% da arrecadação federal.
A Câmara, por sua vez, vai instalar na próxima quarta-feira uma comissão parlamentar de inquérito para investigar causas, conseqüências e responsáveis pela morte de crianças indígenas, por subnutrição, de 2005 a 2007. A CPI foi proposta pelos deputados Sebastião Madeira (PSDB/MA) e Waldir Neves (PSDB/MS). A reunião será realizada às 14h, no plenário 11, e nela serão eleitos o presidente e os três vice-presidentes da comissão.
A CPI para investigar denúncias de grampos telefônicos irregulares também será instalada na próxima semana. Também na quarta-feira (19) está marcada a eleição dos 16 integrantes da Câmara para a Comissão Representativa do Congresso Nacional, que funcionará durante o recesso parlamentar (23 de dezembro a 1º de fevereiro).
A pauta da Casa permanece trancada por seis medidas provisórias e três projetos de lei com urgência constitucional pela terceira semana consecutiva. A base aliada ao governo vai decidir na próxima semana se continua a obstrução, a exemplo do que fez até que a CPMF fosse votada no Senado. Dessa vez, a medida é para garantir a votação, em segundo turno, da PEC que prorroga a DRU no Senado. A tática governista é evitar que alguma matéria aprovada na Câmara seja enviada ao Senado e atrase a apreciação da desvinculação.

Ombudsman da Folha reconhece erro do jornal contra FH

A coluna do ombudsman do jornal Folha de S. Paulo, Mário Magalhães, deste domingo reconhece que a publicação errou ao noticiar suposto equívoco gramatical cometido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante encerramento da 9ª Convenção Nacional do PSDB. De acordo com matéria do dia 24 de novembro, o jornal afirmou que o tucano errou ao ter afirmado que quer "brasileiros melhor educados".
Especialistas ouvidos pela Folha apontaram que, de acordo com a norma culta da língua, o correto seria ter dito "brasileiros mais bem educados". Para gramático consultado pelo ombudsman, no entanto, "as duas formas coexistem na língua culta formal". "Ninguém bancou que o antecessor de Lula errou", destacou Magalhães.

Fonte: Agência Tucana